Saudade é um grande trunfo da língua portuguesa, mas esse sentimento com certeza é universal. Pra mim corresponde a uma lembrança e uma vontade. Mas não qualquer lembrança e nem qualquer vontade. É a lembrança de algo muito bom que se viu, sentiu, falou ou viveu, mas que passou e é irrepetível, e quando vem essa vontade de repetir o irrepetível atrelada a essa lembrança de algo que é etéreo e não existe mais, não há dúvida, é saudade.
Eu sempre tive a dúvida se esse sentimento era representado com a palavra no singular ou no plural (saudade ou saudades), os dois estão certos, mas saindo do campo gramatical percebi que ela é sempre plural, pois não se sente saudade de um fato, pessoa ou momento em si, como um todo, mas de cada partícula daquilo que foi tão real e que agora não passa de uma bela mas dolorosa lembrança.
Sempre acontece, acreditamos, alimentamos, nos doamos por algo e no final tudo se vai, ou se transforma, saindo do nosso controle. E ao contrário do que se pensa num primeiro momento, a saudade não está necessariamente ligada à distância, mas sim a algum término ou simplesmente alguma transformação. Não há pior saudade do que a de alguém que está perto, não se sente saudade da pessoa, mas de uma ligação que existia e já não mais se sente.
Distância realmente não é físico, e a saudade mais avassaladora é a que leva a amizade mas deixa o amigo, fisicamente a pessoa está lá, mas aquele elo, o sentimento, a intimidade, esse qualquer coisa que não se explica, mas proporciona uma extrema vontade de estar junto, simplesmente se vai, e transforma em estranhos quem outrora se acreditou um compartilhador da própria alma.
O certo é que sempre sentiremos saudades de algum outro tempo, de algum amigo que se foi eternamente, ou que está próximo, mas ainda assim distante, teremos saudades do frio e logo mais do calor, de estar calado e de falar, do silêncio e do som, tentaremos voltar, corrigir, consertar, restabelecer, mas nada será igual outra vez, ela, sempre plural, será nossa senhora. Impiedosa, por um momento nos faz acreditar que tudo voltará a ser como antes, ela conta com a ajuda do tempo que dilata a nostalgia e contorna todo sofrimento.
Mas é ela a responsável por tornar o nosso passado bonito, só quem já viveu bons momentos pode ter saudade. Graças a Deus o tempo não volta e não podemos transformar o passado em presente outra vez. Nos resta então lembrar carinhosamente e ter vontade de restabelecer o que não volta, ou seja, nos conformemos com a saudade. Antes que a matemos ela nos matará.
sábado, 24 de março de 2012
domingo, 11 de março de 2012
Da felicidade
Depois de tanto tempo sem postar no Blog, hoje eu quero falar um pouco sobre felicidade.
Talvez seja impossível definir, conceituar esse sentimento, sendo mais fácil reconhecê-lo por exclusão, ou seja, geralmente a sensação de felicidade é sentida quando há uma ausência de sensações ruins, de dores, desconfortos e insatisfações.
Para as crianças a felicidade parece estar numa caixa de bombons, num balanço improvisado numa árvore ou qualquer dessas banalidades que as faz sorrir abobalhadamente. Mas quando crescemos parece que precisamos de cada vez mais coisas, sentimentos ou pessoas para nos sentirmos bem. Desde quando é preciso um motivo pra ser feliz?
Os compromissos, as dívidas, as cobranças, as decepções por vezes furtam-nos o dom de SER feliz, então colecionamos vários momentos de alegria, mas não uma felicidade verdadeira. O nosso mal é querer demais, não conseguir mais se satisfazer com as pequenas alegrias diárias, com o telefonema de um amigo, com um simples pôr de sol, com o fato de ajudar alguém numa conquista, com o sorriso de quem se ama, pelo contrário, só conseguimos reclamar do engarrafamento, de não ter passado na prova de direção ou de ter ouvido um não de alguém.
E ela é assim , sempre tão fugaz, quanto mais a procuramos, mais ela parece se afastar de nós. Até o momento que paramos de persegui-la e sem nem perceber direito ela simplesmente se apodera de nós, exatamente por ser um sentimento que não se prende a nenhum fato para existir, ele simplesmente existe, independente de acontecimentos exteriores, ele habita as ruelas do nosso ser.
É possível também ser feliz sem necessariamente estar feliz o tempo todo. Só conseguimos alcançar a felicidade quando percebemos que ela não consiste em dinheiro, nem em estar cercado de pessoas célebres, mas em se pre-dispor a olhar a vida com suas lentes, torná-la seu verdadeiro objetivo, em saber ser um pouco criança, relevar os erros seus e dos outros, não olhar só pra dentro, rir de si mesmo e sobretudo amar muito, e de repente, quando menos esperamos simplesmente somos felizes.
Talvez seja impossível definir, conceituar esse sentimento, sendo mais fácil reconhecê-lo por exclusão, ou seja, geralmente a sensação de felicidade é sentida quando há uma ausência de sensações ruins, de dores, desconfortos e insatisfações.
Para as crianças a felicidade parece estar numa caixa de bombons, num balanço improvisado numa árvore ou qualquer dessas banalidades que as faz sorrir abobalhadamente. Mas quando crescemos parece que precisamos de cada vez mais coisas, sentimentos ou pessoas para nos sentirmos bem. Desde quando é preciso um motivo pra ser feliz?
Os compromissos, as dívidas, as cobranças, as decepções por vezes furtam-nos o dom de SER feliz, então colecionamos vários momentos de alegria, mas não uma felicidade verdadeira. O nosso mal é querer demais, não conseguir mais se satisfazer com as pequenas alegrias diárias, com o telefonema de um amigo, com um simples pôr de sol, com o fato de ajudar alguém numa conquista, com o sorriso de quem se ama, pelo contrário, só conseguimos reclamar do engarrafamento, de não ter passado na prova de direção ou de ter ouvido um não de alguém.
E ela é assim , sempre tão fugaz, quanto mais a procuramos, mais ela parece se afastar de nós. Até o momento que paramos de persegui-la e sem nem perceber direito ela simplesmente se apodera de nós, exatamente por ser um sentimento que não se prende a nenhum fato para existir, ele simplesmente existe, independente de acontecimentos exteriores, ele habita as ruelas do nosso ser.
É possível também ser feliz sem necessariamente estar feliz o tempo todo. Só conseguimos alcançar a felicidade quando percebemos que ela não consiste em dinheiro, nem em estar cercado de pessoas célebres, mas em se pre-dispor a olhar a vida com suas lentes, torná-la seu verdadeiro objetivo, em saber ser um pouco criança, relevar os erros seus e dos outros, não olhar só pra dentro, rir de si mesmo e sobretudo amar muito, e de repente, quando menos esperamos simplesmente somos felizes.
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