Mas antes de tocar diretamente no assunto, quero pedir desculpas às pessoas que estavam esperando a postagem de "10 coisas sobre mim que quase ninguém sabe", é que este texto foi censurado e vão mesmo continuar sem saber.
Eu estava, a alguns dias atrás, cruzando uma das mais belas pontes do Recife enquanto me dirigia a uma de minhas obrigações, especulando sobre amenidades e planejando para um futuro próximo, quando vi uma daquelas aves brancas sobrevoando a maré baixa. Repentinamente passei a acompanhar o vôo daquele pássaro com os olhos, até que me descobri rindo e vi que tinha perdido completamente a noção de espaço, foi quando me surgiu uma infantil pergunta: ele voa por que quer, ou por que precisa? Pronto, era mais uma criança pondo à prova o pueril símbolo da liberdade.
No mesmo instante reportei-me aos remotos tempos de escola, quando sob influência de Kant, passei a andar com um cadeado no pescoço simbolizando a inexistência da liberdade absoluta. Eu via de forma bem simplista a filosofia de Kant, e adorava quando ele dizia que a nossa visão de liberdade do voo de um pássaro era ilusória, pois o mesmo voava em busca de satisfazer sua necessidades, tendo que se submeter às correntes de ar, sendo-lhe impossível voar no vácuo.
Mas sem dúvida a visão de liberdade que mais me intrigou, chegando mesmo a roubar-me noites de sono, foi a de Sartre, segundo a qual a existência precede a essência nos seres humanos, desta forma primeira existimos e depois criamos uma essência, sendo que esta é de inteira responsabilidade nossa, pois poderíamos ser qualquer outra coisa, mas se escolhemos ser exatamente o que somos a culpa é inteiramente nossa, em outras palavras, todos nós somos prisioneiros da liberdade tendo que todos os dias escolher quem queremos ser, traçar nosso próprio mapa e refazer nossa trilha.
A visão de Sartre é angustiante, ser inteiramente responsável por quem se é, pensar que se temos um defeito é porque escolhemos tê-lo, já que poderíamos ser qualquer outra coisa... quanta responsabilidade, e foi por isso que resolvi escrever esta palavra nas minhas costas, não como um leviano anseio juvenil e sim como uma dolorosa constatação da condição humana.
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